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Máscaras de Proteção: Guia Essencial para a Sua Utilização Correta

Celso Guedes

Durante a pandemia de COVID-19, o uso de máscaras de proteção tornou-se uma medida de saúde pública fundamental. A sua correta utilização é essencial para prevenir a propagação de vírus, como o SARS-CoV-2. É importante compreender os diferentes tipos de máscaras e as suas características específicas para garantir uma proteção eficaz.

Tipos de Máscaras e a sua Proteção

Existem principalmente três tipos de máscaras utilizadas para a proteção respiratória:

  • Máscaras de proteção respiratória tipo FFP (Filtering FacePiece)
  • Máscaras cirúrgicas
  • Máscaras higiénicas

A escolha da máscara adequada depende do ambiente e do nível de proteção necessário. É fundamental conhecer a natureza do contaminante e a forma como este se propaga. No caso do SARS-CoV-2, sabe-se que se transmite através de gotículas respiratórias com cerca de 5 mícrons, que não flutuam no ar, mas se depositam, podendo ser dispersas pela fala, tosse ou espirros, e influenciadas por correntes de ar.

Máscaras de Proteção Respiratória Tipo FFP

As máscaras FFP são Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e são certificadas de acordo com a norma europeia EN 149. Esta norma testa a proteção no sentido do ambiente exterior para a boca e nariz, ou seja, a "proteção de entrada".

Existem três níveis de proteção:

  • FFP1: Proteção mínima.
  • FFP2: Proteção intermédia.
  • FFP3: Nível de proteção mais elevado.

Algumas máscaras FFP2 e a maioria das FFP3 possuem uma válvula de exalação que facilita a respiração do utilizador, reduzindo a resistência à saída do ar. Esta válvula não compromete a proteção de entrada da máscara.

O tempo máximo de uso contínuo de uma máscara FFP é de 2 horas, sendo recomendado um período de descanso de pelo menos meia hora entre utilizações consecutivas.

Máscaras Cirúrgicas

As máscaras cirúrgicas são dispositivos médicos certificados de acordo com a norma europeia EN 14683. O seu teste de certificação avalia a proteção no sentido da boca e nariz do utilizador para o ambiente exterior, ou seja, a "proteção de saída". São desenhadas para reduzir o risco de propagação de infeções, particularmente em cenários epidémicos ou pandémicos.

Dividem-se em três tipos:

  • Tipo I: Destinadas a reduzir a disseminação de infeções.
  • Tipo II e IIR: Utilizadas por profissionais de saúde em ambientes como blocos operatórios, oferecendo maior proteção.

A norma EN 14683 não especifica um tempo máximo de uso contínuo para as máscaras cirúrgicas, mas é aconselhável trocá-las quando ficam húmidas ou visivelmente sujas.

Máscaras Higiénicas

As máscaras higiénicas funcionam como uma barreira física que dificulta o contacto de gotículas respiratórias com a boca e o nariz. Estas máscaras não possuem certificação CE formal para proteção respiratória, mas devem cumprir as especificações técnicas estabelecidas. Em Portugal, a DGS emitiu orientações para a sua produção e utilização em contextos não clínicos, visando complementar outras medidas preventivas.

Existem diretrizes para a sua fabricação, que as classificam pela reutilização e pelo grupo etário a que se destinam:

  • Não reutilizáveis para adultos e crianças
  • Laváveis para adultos e crianças

Máscaras Duais e Escolha da Máscara

Existem também máscaras "duais" que combinam as características de proteção das máscaras FFP e cirúrgicas, oferecendo proteção tanto na "entrada" como na "saída".

A escolha do tipo de máscara deve basear-se no ambiente de utilização:

  • Se todas as pessoas no ambiente estiverem a usar máscara, uma máscara cirúrgica pode ser suficiente.
  • Se o uso generalizado de máscaras não for garantido, é preferível optar por máscaras FFP2 ou FFP3.
  • As máscaras higiénicas são uma solução de último recurso, desde que cumpram as especificações técnicas aplicáveis.

Utilização Correta e Recomendações

Para garantir a eficácia da máscara, é crucial seguir as instruções do fabricante relativas à colocação e remoção, bem como respeitar o tempo máximo de uso. As máscaras FFP possuem dois elásticos que devem ser posicionados na nuca e no topo da cabeça para um ajuste seguro. As máscaras cirúrgicas têm elásticos para as orelhas e devem ser ajustadas firmemente à boca e ao nariz.

Recorde-se que as máscaras são uma medida complementar a outras ações preventivas, como o distanciamento social e a higiene das mãos. As autoridades de saúde recomendam a sua utilização como parte de um conjunto de medidas de proteção individual e coletiva.