A consciencialização dos trabalhadores é a base imprescindível para consolidar a segurança laboral nas empresas.
Para que as organizações possam continuar a progredir em Segurança e Saúde no Trabalho, é crucial considerar o "Fator Humano" como um elemento chave para alcançar um maior compromisso nesta área.
Embora seja importante fornecer aos trabalhadores normas, procedimentos, controlos técnicos e locais de trabalho seguros, é igualmente vital motivá-los, convencê-los e formá-los para alterar os seus valores e atitudes em relação à Segurança e Saúde.
Para tal, devemos estabelecer dois objetivos principais:
- Consciencializar os trabalhadores para as consequências de assumir riscos no trabalho e para a importância de cumprir/seguir as normas e procedimentos estabelecidos.
- Conseguir modificar a atitude insegura do indivíduo e, consequentemente, produzir uma alteração de comportamento/conduta.
Uma ferramenta relevante para alcançar estes propósitos são as formações baseadas na Segurança Comportamental. Estas formações dão um papel de destaque à aprendizagem de competências de identificação e autogestão emocional, técnicas de modificação de conduta, autoconhecimento, competências de relacionamento e competências de percepção de risco.
Observa-se nas organizações a necessidade de abordar a mudança dos comportamentos de risco através de métodos especializados no comportamento humano, diferentes dos utilizados até ao momento. Mudar a atitude das pessoas que integram a organização no que respeita à segurança no trabalho é essencial para reduzir acidentes e incidentes, conforme estabelecido na Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro, que estabelece o regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho.
Condições para um Comportamento Seguro
O modelo da segurança baseada no comportamento fundamenta-se na Teoria Tricondicional do Comportamento Seguro (Meliá, 2007), que defende a existência de três condições para que uma pessoa trabalhe de forma segura: deve PODER trabalhar em segurança; deve SABER trabalhar em segurança e deve QUERER trabalhar em segurança.
Estas três condições são um requisito indispensável para que se manifestem comportamentos seguros, e dependem de fatores técnicos e humanos. Este modelo permite, além de avaliar riscos, intervir neles em função dos fatores de cada grupo que estejam a falhar.
- SABER refere-se ao conhecimento (teórico e prático) que uma pessoa deve ter sobre como realizar o seu trabalho de forma segura. O "SABER FAZER".
- PODER refere-se às aptidões, tanto físicas como mentais, que uma pessoa deve possuir, e às condições do ambiente de trabalho, para realizar a sua atividade de forma segura. O "PODER FAZER".
- QUERER refere-se às atitudes. Motivação, desejo e vontade de realizar o trabalho de forma segura. O "QUERER FAZER".
O que é necessário para que os colaboradores trabalhem em segurança?
Precisamos de uma visão mais holística para lograr a mudança na segurança das organizações. Para isso, é fundamental considerar o todo/conjunto. As partes não podem ser vistas de forma independente, mas sim em conjunto, interligadas e orientadas para um objetivo comum: A SEGURANÇA.
Estas três condições são necessárias, e nenhuma é, por si só, suficiente. Basta que uma das três falhe para que a pessoa não consiga realizar um trabalho com segurança.
Os trabalhadores são, na prática, quem pode liderar e valorizar os comportamentos seguros no trabalho, dando o exemplo, em conjunto com os quadros intermédios e líderes.
Cada trabalhador é um modelo de comportamento, sendo, por isso, necessário incutir, promover, praticar e recompensar os comportamentos seguros na organização.
Para liderar e conseguir comportamentos mais seguros por parte dos trabalhadores, é imprescindível o envolvimento da gerência, linha hierárquica, área de prevenção e departamentos relacionados.
O objetivo é que trabalhadores, linha hierárquica, direção e prevenção sejam verdadeiros agentes de mudança de comportamento. Assim, todos somos um elo indispensável na Segurança e Saúde na empresa.